segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Uma gente muito esquisita

"Depois de estar 40 dias cruzando a Alemanha de norte a sul e de leste a oeste, temos que manisfestar algumas de nossas estranhezas:

1º) Os metrôs da Alemanha não tem catraca, se você quiser compra o bilhete, mas não existe funcionário para para mostrar que você comprou o bilhete. Ninguém se interessa por isso. Vê se pode?

2º) As bicicletas ficam soltas nas ruas, com cadeado, mas sem estarem amarradas a nada. E eles ainda construíram um monte de ciclovias em que só as bicicletas trafegam.

3º) Incrível: os alemães páram nos sinais vermelhos a qualquer hora, mesmo de madrugada, quando não há qualquer carro vindo com o sinal favorável a ele.

4º) Pedestre nenhum atravessa uma rua enquanto o sinal não ficar verde para ele. Ficam ali, de bobeira, enquanto o mundo roda.

5º) Não há limite de velocidade nas estradas (apenas uma recomendação para não ultrapasar 130 Km/h). Ah, e desperdiçam cimento, porque as estradas tem 70 cm de espessura de puro concreto. E tem mais: nas estradas todos os carros andam na pista da direita, a da esquerda fica livre para os carros mais apressados. Um espanto de desperdício!

6º) Neste país esquisito, os caras tem mania de estudar. Para se adquirir a carteira de motorista, passam quatro anos numa escola, que para os jovens, é parte do colégio.

7º) O governo que essa gente elege não cobra pedágio e está sempre fazendo obras nas suas estradas ociosas, modernizando-a ainda mais, não se sabe pra quê nem com que dinheiro.

8º) A periferia de todas as grandes cidades é desperdiçada com jardnis e florestas improdutivas, ao invés de destiná-las a usos mais raconais, como os lixões, por exemplo.

9º) Os caras fabricam uns carrões, tipo Mercedes, BMW, Audi e ainda importam uns Rolls-Royce, Bentley, Ferrari, não blindam nenhum deles e ainda os deixam nas ruas à noite. Tem gente maluca cujos carros, conversíveis, ficam ali, em qualquer lugar - exceto nas calçadas, não sei por quê -, estacionados de capota recolhida...

10º) Essa é incrível: os caixas automáticos dos bancos ficam nas calçadas! Sem ninguém tomando conta, e funcionam dia e noite. E entra dia, sai dia, nenhuma desaparece.

11º) A gente saía à meia noite para passear na praça e não via nenhum assalto para quebrar a monotonia. O que de repente desaparece nas cidades são os carros. Eles vêm vindo e, de repente, no meio do quarteirão, eles dobram à direita e somem. Disseram pra gente que somem em edifícios-garagem ou em garagens subterâneas.

12º) Os jornais do dia ficam empilhados ao lado de uma caixinha para quem quiser levar colocar a quantia necessária. Alguém só pega o jornal, ninguém leva a caixinha. Que gente esquisita!

Ainda bem que a excursão acabou e estamos voltando para a nossa civilização, o Brasil, o inverso de tudo o que vivemos por essa terra."

Violência e morte!

A escola é o lugar que crianças e adolescentes frequentam desde muito cedo em busca de conhecimentos e aprendizados. Apesar disso, esse cenário tem se transformado bastante, sendo um dos principais motivos a violência que invadiu a escola numa proporção tamanha que já se transformou em bullying.

As agressões entre as crianças são frequentes, o que altera a rotina escolar e deixa educadores cada vez mais assustados. Seria a falta de educação escolar que priorize valores como respeito, tolerância e sensatez? Mais ainda: seria a reação, tardia, do mau desempenho que os professores (principalmente os de ensino fundamental) vêm demonstrando? As respostas dependem do entendimento de cada pessoa, mas o fato é que a escola está no centro do problema e precisa atentar para as suas consequências, muitas extremas como a morte. Estatísticas mostram que, em escolas americanas, a cada mês, 3 jovens se suicidam. É um alerta para o mundo que o ambiente está em perigo.

O impacto do bullying no emocional infantil causa transtornos psicológicos que talvez só sejam percebidos na vida adulta. Uma das medidas preventivas é fazer com que a parceria escola-família, pelo diálogo, seja uma constante.

A escola pode desenvolver uma nação, portanto, para garantir sua qualidade, é preciso tomar providências que sejam capazes de fazer a violência ceder espaço para a traquilidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sociedade da Insegurança

O Brasil é um País desigual. A má distribuição de renda desencadeia gradualmente conflitos. Um deles é a volência em toda a sua extensão. Essa violência, que é social, gera outra violência, a física. A problemática se agrava quando o cenário é a escola e os personagens, membros da comunidade escolar.

Quem acentua a violência é a má educação social. As regras sociais que precisam ser ensinadas e, principalmente, praticadas pelos pais, educadores, gestores e políticos deste País parecem não estar sendo levadas a sério. As causas são muitas.

A mídia, em particular a televisão, noticia acontecimentos de estudantes que foram agredidos, professores que denunciaram alunos, estudantes que mataram colegas dentro ou fora da escola, mas em contrapartida não informa ou sugere medidas preventivas ou, pelo menos, paliativas no sentido de redefinir a educação, como deveria ser.

A rede mundial de computadores atua de forma direta na comunicação social da população, e por este motivo há a necessidade deste canal reformular suas estratégias ideológicas, ampliando o valor e o sentido da vida em prol desta, e não condicionando-a ao materialismo, que agride, que envaidece e culmina a fatalidades. A exemplo do estudante que a caminho da escola foi abordado e violentado por outros estudantes por não pagar a quantia que lhe dava garantia de vida.

À medida que os membros da comunidade escolar assumirem o seu papel de formadores, e não de deformadores, e os meios de comunicação usarem seu poder para auxiliá-los neste desafio, certamente a escola será o cenário ideal para a convivência e a aprendizagem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Família ê, família á

Laços afetivos. Núcleo de convivência. Fundamento da sociedade. Amor conjugal. Centro de referência. Indivíduos que compartilham genes, casa, quarto e parentes biológicos, ou não. Estes são conceitos sobre família, mas que estão sofrendo alterações no século XXI.

Essas alterações acabam por reinventar o conceito e o formato tradicional de família. É o caso do casal homossexual brasileiro, Michele e Carla, que, recentemente, conquistaram o direito de registrar seus filhos gêmeos no nome de ambas. Ou então o das novas famílias que agregam novos membros, ainda sem sabermos nominá-los. Essas alterações se tornam uma grande inclusão, um processo social que está nos levando não ao fim, mas à revalorização da família.

Pesquisas de comportamento mostram que, mais até do que amigos, os bichos de estimação são hoje vistos como filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. No Brasil, essa é a realidade em 44% das residências das classes A, B e C. Tal qual o cão Argos, de Homero, e a cadela Baleia, de Graciliano, os animais são cúmplices, com os quais seus donos vivem dores e delícias.

Esses laços afetivos dão sentido à vida e este é o motivo pelo qual as novas possibilidades não colocam os conceitos sobre família em desuso. Pelo contrário, quanto mais arranjos familiares forem inventados, mais a base familiar reafirma sua importância na sociedade.

Com a aceitação e inclusão, social e legal, dos novos conceitos sobre família, temos o século XXI marcado pelos diferentes e não menos importantes, arranjos familiares.

sábado, 29 de agosto de 2009

Brasil, mostra tua cara!

De um lado, garotas de Ipanema, lindas e cheias de graça. De outro, adolescentes grávidas de graças tão lindas quanto às outras.

O País tem dimensões continentais, variedades naturais e culturais e elevado potencial turístico. Causa espanto e cobiça. No norte, há a Amazônia, maior diversidade entre as florestas da zona intertropical do globo terrestre. Além disso, um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural, localizado na Bacia de Santos, Campos e Espírito Santo, precisamente de cinco a sete metros abaixo do nível do mar fará o Brasil ser o maior produtor e exportador de petróleo e derivados do mundo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) confirmam que a expectativa de vida aumenta a cada ano, indicando maior demanda para serviços médicos e estéticos. O mercado cresce. Em contrapartida, o Sistema Único de Saúde(SUS) coleciona processos judiciários e irregularidades e o trabalho escravo no País é denunciado pela Organização Internacional do Trabalho(OIT).

De um extremo a outro do País, a fé cristã se manifesta. Cristo Redentor, braços abertos, mora no cartão postal do Brasil, ícone da religiosidade presente na vida de mais da metade da população, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística(Ibope).

Em cada canto, uma cor, uma comida, um ritmo, um clima, uma fala, uma dança, um brasileiro diferente. Todos os "brasis" juntos constroem o caleidoscópio latino, festivo e tropical que traduz o que é o Brasil: samba, feijoada completa, partida de futebol. Aliás, vai bola, vem bola. O Brasil é penta campeão do mundo. Orgulho e glória, amém!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Janela da Alma

Agora em Belém são quatro horas da tarde.

A chuva cai e risca a paisagem como a tinta a óleo à tela. Sombrinhas colorem o chão, árvores choram gotas alegres, agradecem a água de todo dia. Nesta cidade a chuva representa, significa, diz muito da riqueza, da beleza.

Contemplo a paisagem pintada à gotas, todas as tardes. Os riscos surgem e junto com eles o barulho da tranquilidade pinta a paz. E no embalo da orquestra artesanal dos pingos, as redes vão e vem, as bênçãos penetram os poros invadindo a alma e limpam as preocupações diárias.

É na chuva que as desigualdades ficam mais aparentes. Ricos secos e pobres molhados. Ou será o contrário? De um lado, São Pedro, "deus da chuva", abençoa plantações, hortas, jardins, corações e mentes desanimadas. De outro, enchentes que brigam e desabrigam famílias inteiras,trovões, tempestades e raios.

Já nos primeiros instantes, chuviscos energizam os sentidos para a nostálgica infância, quando acontecem partidas de futebol e de queimadas regadas à chuva, suor e sol. Ou seria sol, suor e chuva?

Quatro horas da tarde. Horário para olhar, sentir, dizer, escrever, fotografar, amar, comover-se, dançar, brincar, viver, comer, rezar, abençoar-se, tranquilizar-se, banhar-se.

A chuva chega às quatro horas em Belém.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Tatuei Caio F. em mim


De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrima chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os traveseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo na boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-pra-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

- Caio Fernando Abreu em Sem Ana, Blues de Os Dragões não conhecem o paraíso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Dinâmica dos fluidos

"Somos todos partículas. Átomos. Elementos químicos células, pessoas. Nos locomovemos. É isso que as partículas fazem. São atraídas e repelidas. O ar vai do quente para o frio. As cargas elétricas, do positivo para o negativo. Os planetas se atraem. E nós, indivíduos, para onde vamos?

Temos o livre-arbítrio. Vamos para onde queremos. O que torna nossos fluxos bem mais complexos de se organizar. O modelo matemático do trânsito é o mesmo da dinâmica dos fluidos. Da água correndo pelos canos. Cada cano como se fosse uma molécula d'água. O espaço entre eles é a pressão. Poucos canos, pouca pressão, o trânsito flui bem. Se a água é represada: muitos canos, pouco espaço entre eles, maior pressão. Só que a cidade não é só um cano ; é um emaranhado de canos, com água correndo para diferentes direções"

(texto sobre o trânsito de São Paulo narrado pela personagem Ênio (Leonardo Medeiros), no filme brasileiro "Não por acaso".

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Menina bonita do anel de ouro

Homens e mulheres cantam e dançam em roda, quase todos descalços. Seus passos imitam o andar de bichos. O nome, carimbó, vem de um tipo de tambor (curimbó) escavado em tronco de árvore, usado ao lado de outros instrumentos como banjo, flauta, clarinete e cuíca (ou onça), para tocar o carimbó.

A dança apresenta forte influência africana. É uma das formas do batuque de terreiro, parecida com outras danças, como o jongo (SP, RJ), o tambor-de-crioula (MA) e o zambê (RN).

A quem interessar, Câmara Cascudo, grande estudioso da cultura popular, tem um blog:
http://memoriaviva.digi.com.br/cascudo/index2.htm


video
Grupo "Quentes da Madrugada" (Santarém Novo - PA) no espaço cultural "Cachoeira", em São Paulo.