Agora em
Belém são quatro horas da tarde.
A
chuva cai e risca a paisagem como a tinta a óleo à tela.
Sombrinhas colorem o chão, árvores choram gotas alegres, agradecem a água de todo dia. Nesta cidade a chuva representa, significa, diz muito da riqueza, da beleza.
Contemplo a paisagem pintada à gotas, todas as tardes. Os riscos surgem e junto com eles o barulho da tranquilidade pinta a paz. E no embalo da orquestra artesanal dos pingos, as
redes vão e vem, as bênçãos penetram os poros invadindo a alma e limpam as preocupações diárias.
É na chuva que as desigualdades ficam mais aparentes. Ricos secos e pobres molhados. Ou será o contrário? De um lado, São Pedro, "deus da chuva", abençoa plantações, hortas, jardins,
corações e mentes desanimadas. De outro, enchentes que brigam e desabrigam famílias inteiras,trovões, tempestades e raios.
Já nos primeiros instantes, chuviscos energizam os sentidos para a nostálgica infância, quando acontecem partidas de futebol e de queimadas regadas à chuva, suor e sol. Ou seria sol, suor e chuva?
Quatro horas da tarde. Horário para olhar, sentir, dizer, escrever, fotografar, amar, comover-se, dançar, brincar, viver, comer, rezar, abençoar-se, tranquilizar-se, banhar-se.
A chuva chega às quatro horas em Belém.